Caros amigos, sede severos convosco e indulgentes para as fraquezas dos outros. É esta uma prática da verdadeira caridade que bem poucas pessoas observam. Todos vós tendes maus pendores a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar; todos tendes um fardo mais ou menos pesado a alijar para poderes galgar o cume da montanha do progresso. Por que então haveis de mostrar-vos tão clarividentes com relação ao próximo e tão cegos com relação a vós mesmos? Quando deixareis de perceber nos olhos do vossos irmãos, o pequenino argueiro que os incomoda sem atentardes na trave que nos vossos olhos vos cega, fazendo-vos ir de queda em queda? Todo homem bastante orgulhoso para se julgar superior em virtude e mérito aos seus irmãos encarnados, é insensato e culpado. O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, que consiste em ver em cada um, apenas superficialmente os defeitos, esforçando-se por fazer que prevaleça o que há nele de bom e virtuoso, porquanto embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há nalgumas de suas dobras mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual.
Espiritismo! Doutrina consoladora e bendita! Felizes dos que te conhecem e tiram proveito dos salutares ensinamentos dos Espíritos do Senhor! Para esses, iluminado está caminho, ao longo do qual podem ler estas palavras que lhes indicam o meio de chegarem ao termo da jornada: caridade prática, caridade do coração, caridade para com o próximo, como para si mesmo; numa palavra: caridade para com todos e amor a Deus resume todos os deveres e porque impossível é amar realmente a Deus, sem praticar a caridade, da qual fez ele uma lei para todas as criaturas.”
Dufêtre, bispo de Nevers
E.S.E. Cap.X Item 18 |